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Em Várzea Alegre agropecuaristas investem no plantio de mogno africano

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Cresce o cultivo de mogno no Ceará. A árvore pode ser uma alternativa econômica para muitos produtores rurais que estão investindo no chamado ouro verde. No município de Várzea Alegre, pelo segundo ano seguido, foi realizado um seminário voltado para incentivar o plantio dessa cultura, que além de rentável, ajuda no reflorestamento de grandes áreas de terra antes devastadas, ou que já foram utilizadas para outras culturas.

Um exemplo vem da fazenda Jaburu, no distrito de Canindezinho. Os cinco mil pés de mogno africano se destacam em meio ao cenário seco, típico do Semiárido. De grande porte e com copas verdes e frondosas, as árvores chamam a atenção. Foram plantadas em uma área que antes era utilizada para o cultivo de capim para formação de pastagem para os bovinos, culturas de sequeiro, fruteiras e até café.

A propriedade pertence ao médico e agropecuarista, Raimundo Sátiro. Apaixonado pela vida no campo, apostou no cultivo do mogno. “Tomei conhecimento da espécie por um amigo, Carlos Kleber, que trouxe algumas sementes e iniciou o plantio aqui em nossa cidade, em sua propriedade na Serra dos Cavalos. Pesquisei mais na internet, e resolvi investir. É um negocio que requer longo prazo, mas é bastante rentável. É uma poupança que fiz para meus filhos, meus netos”, comentou o agropecuarista.

A primeira árvore foi plantada há seis anos. De lá para cá, atualmente, são cinco mil árvores em desenvolvimento. A ideia é que a produção da madeira de lei, se torne mais uma alternativa econômica para a propriedade, mesmo que os resultados venham a longo prazo.

“O mogno africano pode ser a saída para quem deseja plantar e também para quem tem paciência de esperar a árvore crescer, um processo que pode chegar a 15 anos e começar a vender as primeiras ‘toras’ por metro cúbico”, explicou Francisco Rosa, engenheiro agrônomo, especialista em mogno e incentivador do cultivo da árvore no Ceará.

Ainda de acordo com o especialista, o mogno africano foi a espécie que mais se adaptou no Brasil, principalmente na região Nordeste por apresentar características mais parecidas com o clima do país de origem, Senegal, na Africa. “A espécie africana é resistente e cresce mais rápido”, acrescentou ressaltando que a cultura do mogno no Ceará já deixou de ser uma novidade.

Em 47 municípios já há áreas plantadas. O mogno cultivado em terras cearenses até já foi batizado de ouro verde, por conta da alta rentabilidade financeira que a planta pode proporcionar aos investimentos feito com a cultura. No Ceará tem cerca de 100 hectares do cultivo de mogno. A ideia é difundir o valor comercial da madeira e incentivar as pessoas a fazerem o plantio mesmo em áreas reduzidas.

Uma dona de casa que tenha um pequeno pedaço de chão, uma estudante, um agricultor qualquer pessoa pode investir. É uma poupança para ser colhida em 15 anos. O metro cúbico do mogno tem alto valor comercial. O mercado mundial está crescendo e a demanda por madeira de lei aumenta a cada ano. “Um hectare dá em média 400 metros cúbicos de madeira serrada, que pode ser vendida por R$ 1 mil, o metro cúbico, ou até mais. É um bom investimento”, disse o Francisco Rosa.

Após o corte da “tora”, o mogno rebrota novamente para um novo ciclo de igual período.

O mogno é resistente também ao ataque de pragas e doenças. O manejo também é fácil. O cultivo exige irrigação nos primeiros três anos de desenvolvimento da planta. Cada árvore consome em média cinco litros de água em dias alternados através do sistema de irrigação por gotejamento, e adubação deve ser feita também por cinco anos.

Os cuidados com o solo é importante para o bom desenvolvimento da planta e nutrição da planta. De acordo com Sebastião Cavalcante, que é doutor em desenvolvimento do meio ambiente, e professor do curso de Agronomia da Universidade Regional do Cariri, a cultura do mogno é viável economicamente e para o meio ambiente contribui para o reflorestamento de áreas que estão desmatadas.

O cultivo do mogno em Várzea Alegre tem atraído a curiosidade de produtores rurais que já plantam a árvore e de muitas pessoas interessadas em conhecer mais sobre essa cultura. Ambientalistas, empresários, professores e estudantes de agronomia, agricultores e produtores rurais tiveram a oportunidade de visitar a plantação de mogno de Raimundo Sátiro, recentemente, durante o II Seminário voltado para o meio ambiente com foco no Reflorestamento.

De acordo com José Marcílio, secretário do Meio Ambiente de Várzea Alegre, a ideia da visita técnica foi apresentar aos agricultores para que produzam mogno, por meio da agrofloresta, dos quintais produtivos que é uma a atividade rentável e que contribui para o meio ambientes quanto à sua preservação. “A cultura do mogno é promissora para o município e para a região.  Pelos bons resultados e desenvolvimento com as plantações existentes no nosso município, podemos ver que além de forte aliado ao processo reflorestamento, vai ser futuramente um grande impulsionador da nossa economia local. A nossa ideia é incentivar o plantio porque os resultados aparecem”, disse.

Diante de um mercado promissor, os produtores rurais contam com linhas de créditos, através de financiamentos bancários para implantação de florestas. Segundo Samuel Sá, gerente do Banco do Nordeste de Lavras da Mangabeira, há linhas específicas para obtenção de recursos financeiros para investir na atividade de reflorestamento.

 

Diário Centro Sul

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