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Produção de cachaça artesanal motiva agricultor na zona rural de Cariús

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A cachaça é uma bebida nacional que tomou conta do Brasil. Pura ou misturada é um dos produtos bastante consumidos. Em Cariús, um produtor rural, investiu na construção de um alambique e passou a produzir a própria cachaça, no sítio Estreito, no distrito de Caipu, zona rural do município de Cariús.

O processo para produzir a ‘pinga caipira’, começa com a colheita da matéria-prima. A cana-de-açúcar vem de um plantio que fica em uma área de terras baixas (baixio) na propriedade da família. De acordo com José Maria Taveira para produzir uma boa cachaça, vai depender da qualidade e das características da cana. “Aqui a matéria-prima é cultivada de forma natural, sem uso de agrotóxicos. O solo é fértil, é bem irrigado e isso ajuda no acúmulo maior de açúcar na cana”, explicou o fabricante.

José Maria faz praticamente todo o trabalho sozinho. “A mão-de-obra no campo está escassa. Não tem mais quem queira trabalhar. As pessoas de idade já estão cansadas do tanto que já trabalharam na vida, e a juventude não que mais saber do campo”, ressaltou.

A cana-de-açúcar é processada no engenho. A garapa é despejada em um reservatório, onde é verificado o teor de brix, que são os açúcares. “A padronização é feita com água potável, até apresentar a medida padrão entre 15 a 16 brix. Ponto ideal para ir para fermentação”, explicou o produtor rural.

A fermentação é feita em outro reservatório quando acontece o processo de levedura, a ação biológica que transforma os açúcares em álcool. Leva em média 36 horas. Depois segue através de tubulação para o alambique. Na grande panela de cobre, o líquido é aquecido até a temperatura de 100 graus célsius. Processo que leva em média de 4 horas.

“Só depois que atinge essa temperatura é que a bebida já destilada começa a pingar”, explicou José Maria ressaltando que nesse outro passo na produção da cachaça usa apenas o “coração” da bebida. “A gente dispensa as partes chamadas “cabeça” e “cauda”, que concentram mais álcool. O “coração” corresponde a 80% da produção total da cachaça. Ou seja, 20% de tudo são descartados.

A ideia é essa, produzir uma bebida, que é voltada para o público, com uma qualidade diferenciada, seguindo os padrões de qualidade. “Eu produzo cachaça não para embriagar, mas para que seja apreciada, degustada”, disse.

Por isso a produção também é limitada de forma valorizar a bebida. E assim, seguindo o modo artesanal mantendo a receita original. O produto final é resultado de uma cachaça de melhor qualidade, delicadeza e bastante suave. “Eu não gosto de apressar os estágios de feitura do destilado. Desde a moagem da cana-de-açúcar até o líquido no copo, vão três dias de trabalho e espera”, acrescentou.

José Maria apostou nessas mudanças após participar de concurso de mestre alambiqueiro, há 3 anos, em Minas Gerais. “Passei a produzir uma cachaça com melhor qualidade. Com a qualificação, aprendi as técnicas de produção, adequação às regras que a produção exige”.

A meta de produção é chegar a um mil litros por ano. O agricultor tenta manter a produção da cachaça, com o sabor histórico, “A nossa avó produzia muita rapadura, mel de cana, a cachaça nunca foi produzida comercialmente”, disse Isac Oliveira. Eu vejo com muito entusiasmo a ideia de José Maria em produzir a cachaça, porque faz a gente lembrar de quanto era bom ver toda essa área coberta por canavial, a movimentação no engenho, tudo isso tem muita história de vida. Era o que movimentava a economia da nossa família”, comentou.

O alambique de José Maria vem se tornando bastante conhecido na região. Mas não é uma empresa formada. A fama é fruto do trabalho na roça. O método de produção é totalmente artesanal. Mas o produtor tem uma produção organizada criou rótulos, organizou todo espaço, onde também vende a garrafa que varia entre R$ 15,00 e R$ 30,00 – com suporte de madeira. E assim, preservando esse costume antigo com o uso de novas tecnologias, o agricultor pretende continuar com a produção da cachaça artesanal.

 

Diário Centro Sul

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