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Lagoas de Iguatu atraem o tapicuru, uma ave migratória do Sul e Pantanal

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O tapicuru, espécie de ave comum na região Sul do Brasil, passou a ser visto em Iguatu, distante 375 km de Fortaleza, na Região Centro-Sul cearense. O pássaro passou a atrair curiosos e observadores em áreas de lagoas, no entorno da cidade. Nesse período de chuva, o revoar e cantar das aves (tetéu, gavião, garça) ficam mais intensos pela manhã e no fim de tarde.

Os animais encontraram um lugar seguro, com água a vontade e bastante alimento para ficar nesta temporada de inverno. O observador de aves, Alan Marcel Braga, foi quem primeiro descobriu a presença do tapicuru. Ele é servidor público estadual da Secretaria de Ciências e Tecnologias, mas mantém o hobby de fotografar e observar os pássaros.

Em uma de suas caminhadas descobriu a presença do tapicuru. “Aqui em Iguatu tem muitas árvores migratórias que vem de determinadas regiões do Sul, do Pantanal e até do Hemisfério Norte, dos Estados Unidos, Canadá e Alasca”, contou. “Vi o tapicuru em junho do ano passado e esse pássaro nunca fora observado, catalogado, antes no Ceará”.

Seis meses depois, o tapicuru se adaptou, recolhe galhos, faz ninhos e busca reproduzir-se. “Essa ave já deve ter vindo antes, mas ninguém nunca teve esse olhar de enxergá-lo”, disse Alan Marcel. “Já observei sete indivíduos, mas deve ter uns 15, e elas vem aqui para as lagoas em busca de alimentação, na beira d’água, e fazem a reprodução. Quando estão prontos fazem a migração de retorno e vão para o Sul”.

O tapicuru é uma ave ibis, que tem bico grande e torto, apresenta plumagem preta e amarelada, e faz grandes voos. Tem em média 50 cm. “Já cheguei a acompanhar uma com 50 km por hora”, observou Alan Marcel. “A ave no Sul é conhecida por maçarico preto e maçarico de cara pelada, mas como está habitando aqui também devemos colocar um nome regional”. E sugere: “Tapicuru de Iguatu”.

O pesquisador acha que o tapicuru está se adaptando bem à região de vastas lagoas – um ambiente propício. A presença das aves, misturada ao verde da vegetação nativa, forma um cenário perfeito para observar esses animais. E os pássaros estão em toda parte: em cima da estaca, em árvores e também no céu. Dezenas fazem voos panorâmicos e rasantes sobre a região.

O período de chuva favorece a migração das aves que são atraídas por águas novas, dentre elas, o pesquisador já fotografou nas lagoas de Iguatu, a biguatinga (oriunda do Pantanal/Sul), a garça moura (Sul), tuiuiú (Pantanal) e as aves limícolas (habitam áreas de lodo, lama) que vêm do litoral para o continente.

O pesquisador tem em sua estatística particular a observação de 221 espécies, em Iguatu já relacionou 186, colocando o município em 13º no ranking no Ceará. “Tudo é registrado e catalogado”, explicou o observador de aves.

A presença de aves no entorno da cidade de Iguatu atrai observadores, professores e acadêmicos do curso de Biologia da Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu (Fecli), unidade de ensino da Universidade Estadual do Ceará (Uece), que realizam oficinas de observação.

Alunos e professores do curso de licenciatura em Biologia da Fecli/Uece fazem oficina de observação de aves. Foto de Wandenberg Belém

Equipados com auxílio de binóculos e câmeras fotográficas com lentes potentes a equipe observa a desenvoltura das aves. Em Iguatu, a prática de observação vem ganhando adeptos. É preciso paciência. Quem participa de encontros, aproveita para conhecer mais sobre a prática da observação de aves e os próprios animais.

Mikael Alves, aluno do 5º semestre de Biologia, é um dos pesquisadores. “No passado, havia mais pássaros, mas daí a importância da preservação das lagoas, da natureza”, destacou. “Não podemos poluir, aterrar as lagoas”.

 Simone Soares, estudante de Biologia, destaca a valorização do espaço natural, da Caatinga e reforça a necessidade da preservação ecológica. O professor de Zoologia, na Uece, Célio Moura, mostrou a importância da observação das aves para os alunos, futuros professores. “É uma ação pioneira e há muito o que se fazer nessa área de observação e pesquisa dos pássaros”.

 

Diário Centro Sul/ Wandenberg Belém

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